As relações humanas são muito mais frágeis do que imaginamos. É fácil perceber como a violência, animosidade, competitividade, ódio e agressividade estão latentes no coração das pessoas quando se discute a divisão de uma herança. Seja de famílias ricas ou pobres. A disputa pelo espólio tem poder violento de transformar os “pacíficos irmãos” em hediondos seres humanos, egoístas, individualistas e gananciosos. Conheci uma família cuja herança era uma pequena chácara. Depois de mais de 30 anos de brigas, distanciamento e acusação, nenhum dos irmãos, recebeu sua parte. Todos já faleceram e nada foi resolvido até hoje.
A expressão "apenas nove refeições separam uma sociedade civilizada do caos" é uma metáfora poderosa que ilustra a fragilidade da ordem social e a dependência da sociedade moderna em relação ao abastecimento constante de alimentos. A frase é atribuída a Alfred Henry Lewis, um jornalista e escritor americano do início do século XX. Ele a utilizou para alertar sobre a proximidade da anarquia em sociedades altamente dependentes de sistemas complexos de produção e distribuição de alimentos.
No Nordeste existe uma afirmação parecida: “farinha pouca, meu pirão primeiro,” que reflete a atitude egoísta e individualista em situações de escassez ou dificuldade. Em tempos de vacas gordas, todos sorriem e se abraçam, mas quando o dinheiro some, a disputa e o ódio aparecem. Em um contexto em que os recursos são limitados, o ser humano prioriza suas necessidades e interesses em detrimento dos outros. Em tempos de escassez, a luta pela sobrevivência pode levar a comportamentos egoístas e revelar o lado sombrio da alma.
A ideia de Lewis é que, em um cenário de escassez alimentar, a ordem social rapidamente se deteriora. As pessoas, movidas pela fome e pelo instinto de sobrevivência, podem recorrer a medidas extremas, como saques, violência e desrespeito às leis. A sociedade depende de cadeias de suprimentos complexas e frágeis. A segurança alimentar é um pilar fundamental da estabilidade social.
Sua frase também revela o poder do instinto de sobrevivência humano, que pode levar as pessoas a comportamentos extremos em situações de crise. Em um contexto de crescentes desafios globais, como mudanças climáticas, conflitos armados e crises econômicas, que podem afetar a produção e a distribuição de alimentos, a sobrevivência assume prioridade básica.
A expressão "apenas nove refeições separam uma sociedade civilizada do caos" é um lembrete da fragilidade da ordem social e da importância da segurança alimentar para a estabilidade e o bem-estar da sociedade.