Todos os anos tomamos novas resoluções que não saem da ideia ou do papel. Fazemos planos relacionados à dieta alimentar, renovação de votos espirituais, academias, mas nada acontece. Por que é tão difícil mudar?
O dia 12 de janeiro, quando escrevo este artigo, encontra-se na chamada da "semana do abandono": o momento em que a maioria das pessoas desiste de suas resoluções de Ano Novo. Não é irônico? Resoluções tomadas há 12 dias atrás já foram esquecidas. Mas por que isso acontece? Por que o desejo de mudar morre tão rápido?
Os influencers enchem nossa caixa do Instagram de sugestões eficazes que nunca são seguidas. Sabemos o que fazer, mas não temos força pra fazer. Decidimos, mas não fazemos.
-Reduza estas coisas: Sal, açúcar, farinha refinada, laticínios, alimentos processados.
-Coma estas coisas todos os dias: Vegetais, leguminosas, noze, óleos prensados a frio, frutas.
-Coisas para esquecer: Sua idade, seu passado, suas mágoas.
-Três coisas básicas para adotar: Sorria sempre, pratique atividade física regular, verifique e controle seu peso.
Todos nos lembramos da versão do filtro solar, de autoria de Tim Cox, e que viralizou na voz de Pedro Bial: “Não se preocupe com o futuro. Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra.”
Por que é difícil mudar? O nosso cérebro é uma máquina de economizar energia. Criar um hábito é como abrir uma trilha no meio de uma mata fechada: exige um esforço enorme no início. Já um hábito antigo (como o sedentarismo ou a má alimentação) é uma rodovia asfaltada. Sempre que você tenta mudar, o seu cérebro tenta te convencer a voltar para a rodovia asfaltada porque é mais fácil. Mudar é difícil porque exige que você "dirija fora da estrada" por tempo suficiente até que o mato baixe e uma nova trilha se forme.
O problema das promessas de ano novo é que elas são feitas sob a euforia da festa, mas precisam ser cumpridas na monotonia da segunda-feira. Se você já parou, não espere 2027. Recomece hoje, não com uma meta gigantesca, mas com um passo tão pequeno que seja impossível não cumprir. Afinal, a vida não muda no papel; ela muda nas atitudes e na prática diária.
